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Diário de bordo 2010

O ano de 2010 começou muito agitado e com ótimos ventos, ou melhor grandes travessias.


Travessia Salvador - Taipus de Dentro (Baía de Camamu) - Abrolhos - Caravelas - Vitória

Ficamos pouquissimo tempo em Salvador, no Aratu Iate Clube, tempo precioso, pois se tivessemos seguido direto teríamos conseguido ir velejando diretamente até Abrolhos, mas como temos que velejar com "hora marcada" e nossos tripulantes não puderam embarcar antes, tivemos que seguir o cronograma e sairmos com uma pequena janela favorável. Mas sabíamos que teríamos pela frente uma forte frente fria e iríamos nos abrigar em algum lugar. Minha estratégia era de irmos um pouco mais para fora da costa e quando pegássemos a frente fria irmos arribando até o porto mais próximo, que seria Ilhéus. Contudo não foi bem assim que aconteceu.

Dia 12 outubro

Saímos com a maré vazante para aproveitarmos a força da maré e sairmos rapidamente da Baía de Todos os Santos. Fomos no motor e na vela, chegando a até 9 nós, sem ondas, com vento fraco favorável, mas com uma correnteza enorme nos empurrando. Na altura do Farol da Barra desligamos o motor e seguimos com ventos de SE de 15 nós que se manteve assim durante todo o dia e a madrugada.

Dia 13 outubro

O vento começou a aumentar durante a noite e sabíamos que algo viria pela frente. Sempre que uma frente fria avança ela "puxa" o vento que está acima. O vento aumentou bem durante a manhã e logo pelas 8 da manhã entrou a frente fria com força, com ventos de até 35 nós na rajada. Estávamos bem no través de Itacaré, mas como o vento estava muito forte, as ondas na casa dos 3 metros (com crista) e como fazem muitos anos que não entro na barra de Itacaré, tínhamos duas opções: seguir 30 milhas de vento na cara ou arribarmos, voltarmos e nos abrigarmos na Baía de Camamu que estava, também, a 30 milhas.

Evidentemente fomos nos abrigar em Camamu e fundeamos em Taipus de Fora, local que já conheço desde 2004. Onde abriga uma comunidade muito receptiva e muito familiar, local para pessoas que queiram descansar e aproveitar a paz que locais como esse proporcionam.

Depois de ancorarmos, lá pelo meio dia, arrumamos o barco, descemos o bote e fomos para terra. Um pequeno detalhe, o vento estava forte, com rajadas de 20 nós - DENTRO DA BAÍA DE CAMAMU. Ainda bem que nos abrigamos e esperamos seguros o vento passar, nossa cota de contravento esse ano já está esgotada!

Almojantamos e voltamos para o barco para descansarmos um pouco.

Dia 14 outubro

Descemos cedo a terra, almoçamos e logo depois das 12h levantamos a ancora e seguimos viagem. O dia estava feio, com pancadas de chuva ocasionais, mas tínhamos que aproveitar uma janela de tempo bom, pois já aparecia uma frente fria no sul da América do Sul e teríamos que correr para chegarmos há tempo em Abrolhos.

Levantamos a genoa e o grande e fomos velejando e motorando, depois de passarmos a Ponta do Mutá, desligamos o motor e fomos velejando com ventos fracos e contra.

Dia 15 e 16 outubro

Foram dias de ventos fracos, poucas ondas e poucas milhas percorridas. A mesma rotina de sempre a bordo. Uma refeição por dia, fora o café da manhã, trocas de turnos regulares e nada demais.

Dia 17 outubro - o dia de avistarmos Abrolhos

Avistamos Abrolhos no meio da madrugada, mas preferimos diminuir a velocidade e fundearmos de dia. Esse foi um dos amanheceres mais bonitos que já vi na vida. Pessoalmente estava muito cansado física e espiritualmente, cansado.

A chegada em Abrolhos sempre nos reserva uma "surpresa", o motor não gosta de ligar e temos que entrar a vela. Dessa vez foi a bateria que estava fraca, isso porque a lâmpada piloto do alternador estava desconectada. Nada que não conseguissemos resolver durante a velejada.

Ligamos o motor e seguimos até o fundeadouro de Abrolhos.

Os mais jovens pularam na água, enquanto eu e a Karen arrumávamos o barco e nos preocupávamos com a frente fria que estava se aproximando, entramos em contato com o Rádio Farol que nos avisou que teríamos uma breve janela de tempo ruim e forte sul pela frente. Foi o tempo de arrumarmos o motor, arrumarmos a zona do interior, levantarmos a ancora, içarmos as velas e seguirmos para um local onde pudessemos descansar e esperar a frente passar: destino Caravelas.

Fomos velejando com um forte NE, sinal de que a frente fria já estava se aproximando.

A entrada em Caravelas está muito fácil, pois o canal tem sido tragado a cada 6 meses, visto que a Aracruz está com um porto por lá. So devemos tomar cuidado com a forte correnteza que nos tira facilmente do canal.

Chegamos em Caravelas, todos os tripulante desembarcaram e foram procurar água quente em pousadas. Nós ficamos limpando a zona deixada, tomamos banho e fomos jantar na cidade. Tal postura nos deixa muito triste, pois o objetivo de nossas travessias não é, e nunca foi, de realizarmos charter com as pessoas e sim o de demonstrarmos como é a vida e a rotina a bordo. Pena que certos grupos não entendem a proposta e simplesmente pensam que somos empregados delas, que temos que manter o barco limpo e organizado. Para tais pessoas recomendo comprarem seus próprios barcos ou alugarem um veleiro com skipper e "doméstica" para pode-los servi-los e atender a todas suas exigências. Enfim, a vida segue e nós continuamos.

Depois do jantar, voltamos para o barco e fomos descansar. A previsão do tempo não permitira que nós saíssemos de imediato, mais dois veleiros encontravam-se abrigados esperando o tempo melhorar. Dessa forma ficamos em Caravelas aproveitando a cidade e conhecendo locais incríveis.

Sobre nossa estadia em Caravelas irei me abster, pois somente a nós nos pertence. Um mínimo de privacidade vai bem!


Travessia Recife - Maceió -Salvador

Chegamos em Recife no dia 3, arrumamos o barco no dia 4 e íamos sair no dia 5, contudo a previsão de tempo não estava nada favorável e resolvemos esperar um dia para seguirmos. Realizamos uma travessia tranquila, com parada em Maceió de algumas horas e depois seguimos direto para Salvador.

Vou omitir a participação dos tripulantes durante essa travessia pois ela foi completamente nula. Com a participação delas ampliamos em anos o nosso manual de pior tripulante.

Aquele que não participa, que traz para dentro do barco o trabalho de "casa", que não consegue ficar em paz consigo mesmo, que não faz o menor esforço para cozinhar ou ajudar nos turnos ou levantar as velas, enfim aquele tripulante que quer mesmo realizar um cruzeiro num navio ou simplesmente ser servido a bordo. O tipo de pessoa que embarcou conosco sem ler nossos documentos, sem tirar suas dúvidas antes e muito mais.


REFENO 2010

Esse ano a Refeno contou com um número recorde de veleiros, isso graças a união do Crucero de la Amistad que trouxe cerca de 40 veleiros vindos da Argentina, com a união do Cruzeiro Costa Leste no Rio de Janeiro. Foram cerca de 140 veleiros inscritos.

Os dias que antecederam a largada foram repletos de ventos SE acima de 20 nós, uma condição ideal para seguirmos até Noronha. Contudo com a força constante do vento as ondas já encontravam-se formadas.

Esse ano vários veleiros que se encontram fundeados no Cabanga tiveram que madrugar para conseguir sairem com a maré cheia e não ficarem encalhados no canal que separa o clube do porto do Recife, com isso acordamos por voltas das 4:00h e fomos fundear próximo ao Marco Zero.

Aproveitamos as últimas horas em águas abrigadas e fomos descansar um pouco. Por volta das 10h começamos nosso breve curso de vela para deixarmos todos nossos tripulantes confortáveis a bordo e cientes de seus funções, trocas de turno, segurança e tudo o que envolve uma travessia em mar aberto. A bordo éramos 3 experientes velejadores e instrutores, 7 tripulantes e uma equipe de reportagem, cinegrafista e repórter.

Largamos às 15:20h com ventos ESE de no máximo 8 nós, logo que passamos o molhe do Porto do Recife as ondas começaram a aparecer, o vento foi aumentando progressivamente e manteve-se na média dos 20 nós durante toda a primeira noite. Alguns barcos começaram a desisitir por causa de avarias.

As ondas começaram a quebrar no costado e deixaram a viagem bem molhada durante umas 15 horas, o barco desenvolvia uma boa velocidade, contudo a navegação para os novatos começou a ficar desconfortável. A essa hora a equipe de reportagem não parava de vomitar e resolvemos diminuir a velocidade e proporcionarmos mais conforto para todos. Com isso nossos concorrentes foram nos deixando para trás.

Nosso objetivo esse ano não foi o de ganhar a regata, mas sim proporcionarmos uma travessia segura, agradável e o mais confortável possível para todos nossos alunos.

Faltando pouco menos de 40 milhas começamos a avistar o Pico de Noronha, com seus 323 metros de altura, logo em seguida o tempo começou a fechar e um enorme Pirajá cobriu toda a ilha, trazendo muita chuva e ventos de até 40 nós. Já eram cerca de 18h, resolvemos abaixar uma das velas de proa e seguimos com média de 8 nós até a Ponta da Sapata.

A síndrome de “terra à vista” já havia se instalado em todos, a ansiedade aumenta, a vontade de pisar em terra firme cresce, o enjoo simplesmente desaparece, todos ficam mais dispostos e arrumando suas coisas para pisarem em terra.

Passamos a Ponta da Sapata por volta das 20h, o mar estava forte com ondas chatas no local de fundeio, tivemos que fundear longe da praia, desembarcamos parte da tripulação e fomos dormir um merecido sono.

A travessia em si teria sido muito mais rápida se a bordo tivessemos apenas pessoas experientes ou se tivessemos obcecados por chegarmos rápido e deixarmos de lado o conforto e a segurança de todos que estavam conosco, contudo nosso maior objetivo foi de levarmos um pouco da emoção da travessia, da festa da regata, do espírito competitivo e do companheirismo dos cruzeiristas que participam da Refeno.

Segundo a comissão organizadora, esse foi o ano com as condições de vento e mar mais fortes durante toda a travessia.

Noronha continua linda e organizada como sempre, os preços estão cada vez mais acessíveis e pode-se ficar hospedado e comer bem pagando preços justos. Vale ressaltar que quase toda alimentação vem por mar, durante uma travessia longa, que isso tem que estar incluído no preço das mercadorias. Mesmo assim, paga-se R$ 15,00 num bom PF, pousadas a partir de R$ 30,00 por pernoite. Agora se for alugar um carro ou moto antes vale a pena deixar reservado, pois durante a Refeno os automóveis encontram-se escassos e os preços inflacionados.

Realizar a travessia de cerca de 300 milhas em mar aberto, chegar em Noronha velejando e aproveitar as maravilhas da ilha é uma experiência que todos que amam o mar deveriam ter, a sensação de conquista é recompensada de imediato ao avistar a ilha e felicitada ao vencermos a linha de chegada. E fazer tal travessia durante a Refeno é certeza de segurança, já que temos em média 100 veleiros e 2 navios da Marinha prestando socorro a todos os que precisam.

Preparem-se que ano que vem tem muito mais!

 


Travessia Salvador - Recife

A turma foi composta por um casal paulista que queriam conhecer a sensação de uma travessia oceânica, por uma futura velejadora que acabara de comprar seu veleiro e por um aposentado que pretende comprar seu veleiro e velejar pela costa brasileira, cada um com seus objetivos mas que acabaram se unindo durante a travessia e formaram uma das melhores turmas até agora, e isso é apenas o começo, saiba como foi dura travessia.

Dias 9 e 10 setembro

Saímos do Aratu Iate Clube, depois de termos participado e ficados em vice na categoria Aço durante a regata Aratu-Maragojipe, todos embarcaram na noite do dia 9 de setembro, saímos na madrugada do dia 10 para aproveitarmos a maré de vazante e seguirmos a 7 nós saindo da Baía de Todos os Santos. Passamos entre o Farol da Barra e o banco de areia, o mar já encontrava-se agitado com vento contra durante boa parte da manhã. Por volta das 11h desligamos o motor e fomos velejando, ainda na orça cerrada e com pouco vento. A bordo destacou-se mais um ótimo cozinheiro e passamos o primeiro dia a base de macarrão com legumes, todos se sentirão muito bem e a organização do barco encontrou-se perfeita, pessoas educadas, gentis e prestativas!

Dia 11

Ao amanhecer o mar já mostrava que ficaria grosso, a frente fria que nós estávamos esperando já havia deixado algumas vítimas em Salvador virando um catamaran e deixando algumas pessoas feridas. Quando ela nos encontrou estávamos na altura de Mangue Seco, um local maravilhoso, mas de dificílimo acesso e pouco fundo. O vento vinha de SE, depois S e firmou em SW, com rajadas de até 35 nós. A velejada ainda estava tranquila, mas dava "medo" olhar para trás e ver o tamanho das ondas e sentir nos ouvidos a força do vento. Mesmo com ondas fortes de até 3 metros, ainda tivemos um bom desempenho de nosso cozinheiro e a organização manteve-se impecável, com o barco limpo e agradável.

Até esse momento todos ficaram no leme e o casal que tinha pouca experiência conseguiu até mesmo enfrentar os turnos noturnos, que são os mais cansativos e dificeis.

Dia 12

Seguimos a viagem com a buja e o grande na segunda forra de rizo, claro que poderíamos estar com a mezena toda em cima, o grande rizado na primeira forra e as duas velas de proa, mas isso tornaria a travessia muito rápida, ficaria difícil a movimentação a bordo e extremamente cansativa para todos.

As ondas começaram a aumentar na madrugada e uma delas chegou a quebrar em nosso bote inflável que fica a cerca de 3 metros de altura.

Eram cerca de 18h quando passávamos a umas 30 milhas de Maceió, resolvi que seria mais seguro para todos irmos direto para Recife que ficava a "poucas" horas.

Dia 13

A madrugada foi difícil, estava uma temperatura agradável um céu escuro, com algumas chuvas ocasionais e vento ainda forte, com ondas bonitas e já bem crescidinhas.

O cansaço da noite foi quebrado por uma plataforma na altura de Maceió, demoramos quase um turno inteiro para passarmos e deixarmos as luzes de uma verdadeira cidade para trás.

Quando amanheceu o vento rondou para SW e fomos em popa rasa até Recife, sem dúvida uma das piores condições de vento.

Chegamos no porto de Recife a noite e conseguimos vencer a maré quase baixa do canal que nos separava do Cabanga.

Ao chegarmos no clube fomos acraciados com uma salva de palmas de nossa tripulação que reconheceu o feito de chegarmos com segurança, depois de uma travessia de 460 milhas percorridas diretas.

Ao chegarmos fomos tomar um belo banho de água doce e saímos com nossa tripulação para jantarmos!

Nossos sinceros agradecimentos a todos os 4 que estiveram a bordo e nos proporcionaram uma travessia bem agradável, apesar do desconforto dos dias de velejada, mar e vento fortes!


Travessia Vitória - Abrolhos - Baía de Camamu - Salvador

Preparativos antes da maior travessia do NE - trocando óleo Fabiano "legal" descansando na genoa Caio "o dorminhoco" exercendo sua função
Felipe Caire - o comandante Ivan Padovani - o fotógrafo Renato Sartor
Preparando para fundear na Baía de Camamu Entrando na Baía de Camamu Baía de Camamu
Ivan fotografando Casinha na Baía de Camamu Pescadores
Mistralis na fonte de Maraú Mistralis na fonte de Maraú Veleiros em Maraú
Pescadores de Maraú Vista do mar da cidade de Maraú Casinhas em Maraú
Vista de Maraú Mistralis em Maraú Cachorrinho
Karen Riecken e Mistralis ao fundo Motivos pelos quais vale a pena velejar Mistralis em Maraú
Por do Sol e Mistralis em Maraú Parte da tripulação no mural do "Carioca" Mistralis em Maraú
Tentativa de chegarmos na Cachoeira de Tremembé Ilha do Goió "Curral" em Taiús de Dentro
Tartaruga ninja "ativando" Tartaruga ninja e seu remo mágico Baía de Camamu
Karen Ricken na Ilha do Goió Cachorro "bravo" da Ilha do Goió
Mistralis na Ilha do Goió Mistralis caturrando nas ondas indo para Salvador
Caio, Renato e Fabiano na Ilha do Goió Ilha do Goió Karen, Felipe e Mistralis na Baía de Camamu
Algumas ondinhas na chegada em Salvador Destino: Salvador! Chegando em Salvador
Mercado Modelo e veleiros no CENAB Farol da Barra Passando por um navio
Passando por um navio Passando por um navio Passando por um navio
Arrumando o barco na chegada ao AIC Caio e Fabiano baixando a genoa Tripulação Mistralis - Caio, Fabiano, Renato e Ivan
     
Fotos IVAN PADOVANI
Começando a viagem - saída de Vitória com ventos fortes e favoráveis Karen Riecken - a comandante! Mistralis surfando algumas ondas!
Karen Riecken - a comandante! Altimar e Renato O melhor proeiro do ano - Fabiano
Espetáculo das Baleias
Com chuva, mas com ótimos ventos favoráveis! Renato lavando a louça
Karen e Altimar Volta do fiel Painéis solares
"Voando" Vivendo Aprendendo
Fabiano lavando a louça Ivan no comando!
Alguns Pirajás pela frente Caio Fabiano
E assim se veleja no Cruzeiro Costa Leste, com motor! Incrível arco íris Altimar e o arco íris
Ponta do Mutá Ilha Quiepe Felipe Caire
Mais arco íris Preparando o fundeio na fonte em Maraú
Cidade de Maraú Karen se aquecendo Certas coisas não tem preço!
Karen filmando uma cena impagável! Fabiano indo "rebocar" o Mistralis!
Mistralis na fonte de Maraú
Altimar saindo do restaurante Detalhes de Maraú
Mistralis fundeado em Maraú Tripulação Mistralis
Simplesmente Maraú Por que serão que eles chegaram atrasados? Um dia de chuva em Maraú
Dia de chuva na nossa saída para Ilha do Goió
Proeiro, cozinheiro, timoneiro e ótimo companheiro a bordo: parabéns Fabiano! Karen arrumando o bote
Deixando Maraú Cabos do rizo Karen Riecken - feliz!
Mistralis na Ilha do Goió Detalhes da Ilha do Goió
Fabiano descansando Barquinhos na Ilha do Goió Sapinho e Ilha do Goió
Canal da Ilha do Goió Nosso novo mastro Detalhes do Mistralis
Reflexo de Felipe Caire Mais baleias chegando em Salvador Cidade de Salvador

 


Travessia Rio - Vitória

Hora do embarque Segundo dia de velejada Montoeira de cabos na ponta da retranca
Gaivota Pinguim Passando o Cabo de São Tomé
Lua minguante Içando a mezena Karen a fotógrafa
Nosso cozinheiro e "pirata" Velejando e trabalhando Grandes pescadores!
Chegando em Guarapari Mistralis modelando para a Revista Perfil Náutico
Mistralis modelando
Entrando na Enseada do Perocão Vento forte se aproximando Descansando na Enseada da Cerca
Enseada do Perocão Compras em Guarapari Barcos fundeados em Guarapari
Culinária Mistralis by Altimar Júnior
Saindo de Guarapari Chegando em Vitória Felipe Caire

A travessia iniciou-se no dia 5 de agosto. Todos chegaram um dia antes, conforme o combinado, pernoitaram no barco e foram se habituando com a vida a bordo.

No dia 5 depois do almoço, o vento estava forte e parecia ser favorável. Na verdade a vontade de irmos embora era muito grande e resolvemos tentar sair. O mar estava grosso, estava entrando uma ressaca no Rio de Janeiro. Saimos pela Boca da Barra com mar alto e vento forte, minha esperança era de que ao passarmos da Ilha do Pai o vento estivesse um pouco favorável, mas não aconteceu. Resolvi voltar para poupar a tripulação, o barco e a nossa moral. Pois iniciarmos uma viagem de quase 3 meses com uma saída ruim não cairia bem. Voltamos velejando com ondas quebrando pela popa.

Voltamos para o clube e fomos descansar. A ressaca entrou com força na madrugada de quinta para sexta e ficamos feliz por não termos encarado o mar.

Dia 6 de agosto

Na sexta acordamos cedo e partimos logo pela manhã, o vento estava realmente favorável e seguimos direto. A programação era pararmos em Cabo Frio e Búzios, contudo como o vento estava favorável seguimos viagem direto.

Fizemos 80 milhas em 9 horas, uma média excelente. Que durou até a Ilha de Cabo Frio, logo o vento foi diminuindo e começamos a singrar cerca de 5 milhas por hora.

Dia 7 de agosto

Velejamos sempre com ventos pela alheta, mas logo depois de passarmos pela altura de Búzios o vento começou a variar bastante e tivemos que ficar regulando constantemente as velas.

Quando amanheceu o vento estava fraco e tivemos a possibilidade de levantarmos o gennaker e foi com ele que passamos o Cabo de São Tomé, uma das passagens mais temidas do litoral brasileiro. Com o entardecer o vento foi dimuindo até quase parar, mas continuamos com as velas em cima.

Dia 8 de agosto

Com o amanhecer do dia o vento foi diminuindo ainda mais, ligamos o motor por algumas horas, mas logo depois o vento voltou. Dessa vez quase na cara, conseguíamos velejar, com baixa velocidade. Singramos poucas milhas e com o crepúsculo o vento começou a aumentar e ficar cada vez mais contra. A correnteza chegou a quase 3 nós na cara, ondas fortes quebrando na proa, vento forte e frio. Estávamos a cerca de 30 milhas de Guarapari, mas singrando cerca de 1 milha por hora.

Depois de muitas batidas, resolvemos ancorar o barco. Soltamos cerca de 200 metros de amarra, ligamos o "draging anchor" e fomos dormir. Uma situação muito chata, mas a melhor decisão que eu poderia tomar. Visto que ninguem merece lutar com vento contra e correnteza muito forte.

Dia 9 de agosto

Depois de uma noite mal dormida, levantamos a âncora e seguimos direto para Guarapari.

Fizemos uma sessão de fotos com o Mistralis, com a Karen tirando fotos de nosso bote e fomos ancorar na nossa querida Enseada do Perocão.

Compramos alguns peixes e uns quilos de camarão e fizemos um maravilhoso jantar.

Dia 10 de agosto

Passamos o dia todo passeando por Guarapari.

Dia 11 de agosto

Levantamos cedo, puxamos a âncora, levantamos as velas e fomos velejando com um maravilhoso vento pela alheta até o Iate Clube do Espírito Santo. Pegamos o cabo da poita por volta das 12 h e fomos direto para o clube tomarmos em belo banho de água doce.

Agora ficarems por aqui organizando o barco e nos preparando para a próxima travessia.


Início das travessia pelo nordeste - destino Noronha

Depois de realizarmos as travessias para o Sul e ministrarmos um curso de vela, chegou a hora de nos prepararmo para subirmos a costa e participarmos da Refeno, maior regata Internacional do Brasil - Recife - Noronha.

Durante os dias que passamos no Rio fizemos algumas melhorias no Mistralis: reforçamos as bases de sustentação dos estais, costuramos as velas, trocamos alguns cabos, lavamos, polimos e organizamos todo o barco.

Organizando o barco Preparando o estai de proa - vista feia do Pão de Açúcar Lavando o barco

 


Curso de vela - dias 17 e 18 julho

O curso aconteceu em meio a uma grande frente fria, enquanto a maioria da população carioca falava do mau tempo.

Nós estávamos velejando, o tempo realmente esteve feio, chuviscou algumas pouquissímas vezes, mas a velejada foi maravilhosa.

     
     
     

Segunda travessia para o Sul.


Florianópolis - Ilha do Mel - Ilhabela - Ilha Anchieta - Ilha Grande - Rio de Janeiro - 6 a 19 junho

Mistralis e Aysso em Jurere Aula teórica O sinistro canal de Paranaguá
Remando em direção a praia, perigoso e difícil fundeio Ilha do Mel Nosso querido professor de Yoga
Ilha Anchieta Ilha Anchieta e veleiros do Crucero de la Amistad 2010 Mirante da Ilha Anchieta
Ilha Anchieta Praia do Leste da Ilha Anchieta Visitante cagão
Presídio da Ilha Anchieta Ilha Anchieta Chegando na Ilha Grande
Um dos meus refúgios Enseada do Bananal - Ilha Grande Chegando ao Rio de Janeiro - por do sol na Barra

Florianópolis - Ilha do Mel - Ilhabela - 6 a 12 de junho

Desde o dia 30 de maio nos encontrávamos fundeamos no Veleiros da Ilha em Jurerê, lá pegamos dias de muita chuva e poucos dias de sol. Pegamos ventos NE de até 30 nós fundeados, o barco parecia que estava navegando, as ondas chegavam a bater na altura do gurupés, que encontra-se a quase 2 metros de altura. Estávamos receosos, pois o vento não diminuia e nossa data de partida estava chegando. Mas no dia 5 o vento diminui e mudou de quadrante, favorecendo a nossa velejada.

Dia 5 de junho

No final do dia 5 fizemos uma aula teórica ainda em terra firme e embarcamos a noite no Mistralis para descansarmos e seguirmos na manhã do dia seguinte.

Dias 6, 7 e 8 de junho

Acordamos cedo e antes de tomarmos o café da manhã soltamos as amarras, levantamos as velas e saimos velejando de Jurere. Tivemos que ligar o motor alguns minutos depois pois a brisa tinha ido embora, felizmente logo em seguida desligamos o motor e começamos a velejar com ventos de W (terral) de até 20 nós na rajada. Estava muito bom!

O vento foi diminuindo...diminuindo...até acabar...ficamos boiando algum tempo e algumas horas depois o vento voltou. Estávamos programados para fundearmos em Caixa D'aço e Itajaí, mas como as condições estavam muito favoraveis fomos seguindo em frente.

Resolvemos fundear na Ilha do Mel, nenhum de nós conhecia o canal e a fama dele era muito ruim. Só para variar chegamos a noite na entrada do canal, percebemos que ele estava muito bem balizado e investimos a vela. A tripulação ficou um pouco receosa por estarmos indo somente a vela, mas nossa prática em velejarmos sem motor é muito grande e entrar num canal em linha reta com vento pela alheta é mais do que fácil!

Passando pelo meio do canal ouvi um forte marulho de ondas a sotavento, não falei nada para ninguém, mas fiquei preocupado com a proximadade das arrebentações. Próximo a Ilha do Mel o vento acabou e tivemos que ligar o motor, o fundeio na Ilha é muito complicado, pois existe um banco de areia muito abrupto cerca de 800 metros da praia e esse é o único local de fundeio. Vai de 10 metros a menos de 2 de profundidade num trecho de menos de 15 metros de extensão. Fundeamos a 12 metros de profundidade e quase 1 quilômetro da praia, quando os navios começaram a entrar pelo canal tomamos um "susto" com a proximidade deles.

Logo que amanheceu descemos o bote e fomos passear na Ilha. Um local de extrema beleza, com várias pousadas e muitos restaurantes. O transporte só é feito pelo mar e custa R$ 23,00 ida e volta. Passemos pela Ilha, almojantamos e voltamos ao entardecer para o barco. O vento voltou a ser favorável e saimos pela manhã.

O combinado era sairmos com a maré vazando, mas quando acordei às 5 da manhã o vento estava forte e desfavorável, resolvi esperar o dia clarear, mesmo que com isso fossemos perder a vantagem da maré. Foi a melhor escolha!

Ao sairmos do canal o vento aumentou e fomos velejando com o motor ligado, saimos no contra vento com ondas arrebentando por todos os lados. Uma situação muito tensa para quem sabe que a possibilidade de um único erro pode gerar consequencias desastrosas.

O mais engraçado disso é que quando entramos a noite eu estava muito tranquilo e confiante do que estávamos fazendo, afinal de contas o vento nos era favorável. Mas os alunos encontravam-se "ansiosos", para não dizer temerosos. Na saída a situação era a contrária, eu estava demeroso e eles tranquilos! Vai entender....

Saimos do canal e seguimos direto para Ilhabela.

Dias 9 e 10

A travessia foi muito tranquila com ventos favoráveis o tempo todo, com sol, temperatura muito agradável e tudo muito calmo.

Na chegada, sempre na chegada, tomamos um belo susto, sorte que eu estava no leme.

Depois de passarmos a Ilha Alcatrazes seguíamos direto para o Canal de São Sebastião com vento em popa rasa e até mesmo com asa de pombo. Chamei o Rui para o cockpit, não me recordo o motivo, mas logo em seguida ouço um barulho de motor e quando reparamos eram dois grandes barcos de pesca realizando uma parelha vindo exatamente na nossa direção, pela nossa popa. Demos o jaibe e conseguimos nos livrar do barcos.

Logo em seguida o vento diminui consideravelmente de intensidade e fomos engatinhando com ondas chatas de través até o canal.

Seguimos direto para o YCI e pegamos uma das poitas.

Dias 11 a 19

Os alunos cancelaram a travessia no dia que chegamos em Ilhabela e alguns nem ligaram, nem avisaram que não iam!

Aproveitamos que estávamos sem compromissos e voltamos sem pressa alguma para o Rio de Janeiro, ficamos uns dias na Ilha Anchieta e na Ilha Grande.


Ilhabela - São Francisco do Sul - Florianópolis - 24 a 30 de maio

Nas proximidades da Ilha Queimada Grande Um visitante inesperado Nosso piloto automático!
Entrando no Baía da Babitonga Cater o leme e Felipe plotando os waypoints JIC
Mistralis atracado no JIC Sonda marcando 10 centimetro até o fundo Saindo de São Francisco do Sul
Felipe e Daniel (ex-aluno) fazendo um churrasco da famosa tainha do Sul   Aysso depois do encalhe, nosso vizinho nos dias de Jurere

Chegamos na madruga de sábado e já partimos na manhã de domingo, a previsão de tempo estava muito complicada, os sites metereológicos não estavam se entendendo, mas parecia que teríamos apenas dois dias com ventos favoráveis e logo depois ventos fortes de Sul, o que impossibilitaria nossa travessia.

Tínhamos planejado fundear na Ilha do Bom Abrigo, mas como as condições estava favoráveis seguimos adiante aproveitando o vento e as ondas favoráveis. Na altura de São Francisco do Sul o vento começou a ronda para Sul e resolvemos arribar para terra e nos abrigarmos da frente fria que deveria estar próxima.

A entrada do canal de São Francisco é muito bem balizada, contudo não aconselho a realizá-la a noite ou com ventos forte do quadrante N. Qualquer vacilo e você vai parar num dos vários bancos de areia da entrada do canal.

Pela primeira vez em mais de 30 anos velejando fomos orientados por uma lancha da praticagem a sairmos do canal dos navios para deixar um navio passar, como se ele não fosse passar de qualquer maneira!

Fomos direto para a Marina Capri, um canal extretamente difícil e perigoso com profundidades abaixo dos 2,5 metros. Antes de chegarmos tentamos contato pelo rádio, mas evidentemente não conseguimos! Ao nos aproximarmos um funcionário do clube disse que a estadia custava, acreditem. R$ 213,00. Com direito a absolutamente nada! Evidentemente não aceitamos esse achaque e fundeamos ao largo, a ancora parecia que ia quicar no fundo e voltar ao convés de tão raso que estávamos.

Pernoitamos num dos lugares mais calmos de todas as travessias desse ano, o barco nem se mexia. Acordamos cedo e tivemos que esperar a maré subir um pouco para seguirmos rumo ao JIC, Joinville Iate Clube, bem no final da Baía da Babitonga.

Ao chegarmos fomos logo de cara muito bem recebidos pelo pessoal do clube e tivemos a ótima notícia de que veleiros de fora têm gratuitade de 3 dias com direito a usar todas as dependências do clube. Pegamos nossas roupas e fomos direto tomar um belo banho de água quente!

Ficamos esperando a frente fria passar e abrir uma janela para seguirmos adiante. Teríamos apenas algumas horas de vento do quandrante Norte e logo em seguida fortes ventos de SW. Aproveitamos a deixa e seguimos direto para Florianópolis.

Pouco antes de chegarmos o vento rondou para SW, rizamos o Grande e seguimos com o motor ligado com medo da frente fria ter vindo mais rápido que o esperado. Logo depois o vento ronda para NW e perde completamente a intensidade.

Chegamos, conforme prometido, no dia 30 de maio! Mesmo com todos esses ventos contra!


Rio - Ilha Grande (Enseada de Palmas) - Ilhabela - 20 a 23 de maio

Enseada de Palmas A caminho de Ilhabela
Por do Sol a caminho de Ilhabela Frente fria se aproximando

Saímos do Rio de Janeiro com ventos fortes de SW, o mar estava de ressaca e o começo da travessia foi difícil. Todos queriam e estavam ansiosos por velejar, mas não podiam esperar, nós avisamos, mais uma vez, que a travessia seria realizada no motor e que não haveria a possibilidade de velejarmos. Mas mesmo assim o grupo resolveu lançar-se ao mar e lá fomos nós para a nossa última com vento contra e previsão ruim.

Todos os tripulantes passaram mal, enjoadas e vomitando muito. Optamos por entrar na Baía da Ilha Grande, apoitarmos na Enseada de Palmas, descansar um dia inteiro por lá e seguirmos na manhã do dia seguinte com rumo a Ilhabela.


Ilhabela - Ilha Grande (Dois Rios) - Rio de Janeiro - 6 e 8 de maio

Mistralis em Dois Rios Karen com seu repelente Dois Rios Karen e Luis Sacolé em Dois Rios
Dois Rios Felipe e Jailton no trator do DESIPE Dois Rios Deixando Dois Rios

Fundeamos mais uma vez em frente a Vila e mais uma vez tivemos que nos abrigar no YCI, novamente por causa do forte vento Sul que entra com força total dentro do canal.

Essa travessia estava lotada, contudo três pessoas adiaram a data e fizemos com apenas 2 tripulantes, o amigo Jailton Costa e o santista Luis Fernando.

Saímos por volta das 20h e seguimos direto para Ilha Grande, mais uma vez no motor. O mar estava um espelho, sem onda e sem vento. Amanhecemos na altura da Joatinga, quando entrou um terral e tivemos o prazer de velejar por alguns minutos, possivelmente a velejada mais prazerosa de toda a viagem! Mas nossa alegria durou apenas alguns minutos, o vento sumiu e mais uma vez ligamos o motor.

Fundeamos em Dois Rios pela manhã e fomos direto à praia. Fomos dropando algumas ondas e chegamos ilesos a praia. Lá almoçamos e tomei o melhor de todos os banhos da viagem! Foram os únicos momentos em que consegui relaxar desde o começo das travessias!

Voltamos ao barco e seguimos viagem às 17h. O leste entrou com força, levantou o mar e a correnteza estava com quase 2 nós contra. Como faltava pouco decidimos seguir viagem, mais uma viagem extremamente cansativa, com vento contra e ondas contra. Demoramos mais de 12 h para chegarmos ao Rio.

Agora nos preparamos para a próxima travessia ao Sul, com apenas um único e grande detalhe: não sairemos com vento contra!

Itajaí - Ilhabela - 30 a 5 de maio

Dias de calmaria e muito, muito motor!

Depois do contratempo com a bomba de água salgada e do atraso de 2 tripulantes seguimos para ilhabela.

As condições de vento nada favoráveis, sabíamos que teríamos ventos fracos e contra pela frente, mas mais uma e a última vez seguimos a ansiedade de parte dos tripulantes e fomos enfrentar mais uma condição desfavorável pela frente.

Foram longos e cansativos dias lutando contra um vento quase inexistente. Por vezes nos víamos obrigado a ligar o motor e seguirmos em frente. Para minha surpresa a bomba de água salgada veio danificada e mais uma vez me vejo obrigado a consertá-la. Dessa vez ela funcionou perfeitamente bem e motoramos mais de 50 horas até chegarmos em Ilhabela.

Ancoramos mais uma vez em frente a Vila e mais uma vez fomos obrigado a recolher a âncora e nos abrigarmos no YCI, dessa vez no pier.

Prefiro me abster quanto aos dias dessa travessia, a única coisa que ficou ainda mais evidente depois de termos enfrentados dois ciclones na cara foi que não adianta lutarmos contra as condições que nos apresentam e que só deveremos zarpar quando tivermos ventos favoráveis pela frente.

Particularmente estava perdendo a vontade de velejar, mas de velejar de verdade. O que fizemos desde que saímos do Rio foi cumprir um maldito cronograma e com isso perdemos o real sentido que existe durante as travessias, deixamos de sentir prazer velejando e passamos a ir de um lugar para outro apenas por obrigação, deixando de lado o amor, a beleza, a pureza e tudo o que existe de mais significativo nessa vida e que se encontra no mar. Sendo assim os mortais que me desculpem, mas precisamos velejar, desligar o motor e irmos aproveitar o mar. Mas aproveitar como deve ser aproveitado: sem pressa e velejando!


Dias em Itajaí

Fotos cedidas por Gilnei Carvalho
Entrada do canal de Itajaí Eu e Jorginho Farol de Itajaí Entrando no Rio Itajaí Molhe e Praia do Atalaia

Ficamos 3 dias em Itajaí com a ajuda de nosso grande e salvador amigo Jorginho, que havíamos conhecido nos dias infernais passados na Marina Aratu, para lá do fim do mundo.

Graças ao Jorginho conseguimos organizar o barco para voltarmos para o Rio e lá terminarmos os reparos.

Durante essas travessias contra tivemos as seguintes baixas:

  • genoa 3 rasgada

  • bomba de água salgada do motor quebrada

  • porta da entrada perdida

  • óculos perdido

O local do embarque teve que ser modificado, pois não teríamos tempo de chegarmos em Florianópolis e um dos nossos ex-alunos, outa santa ajuda teve que trazer a bomba do Rio, já que em Itajaí não existia nenhuma a venda e não teriam como consertar a nossa a tempo.

Antes de zarparmos rumo a Ilhabela gostaríamos de esperar uma condição favorável de vento, mas alguns membros da tripulação estavam irrequietos e nos ligando cerca de 2 vezes por dia, isso enquanto estávamos preparando o barco para voltar.

Enfim resolvemos zarpar na sexta-feira quando o Jailton trouxesse a bomba, mais uma vez seguindo nosso cronograma. Contudo dois tripulantes não chegam a tempo e tivemos que esperá-los. Embarcamos eles e seguimos rumando dentro do Rio Itajaí para conhecermos o local. Desembarcamos nosso amigo Jorginho e seguimos rumo Ilhabela. Mais uma vez com vento na cara!

Venho aqui mais uma vez agradecer a imensa ajuda e verdadeira amizade de Jorginho que sempre se mostrou um verdadeiro amigo e nos ajudou tanto em Salvador como em Itajaí. Nossos sinceros agradecimentos!


Ilhabela - itajaí - 22 a 27 de abril

O dia do embarque. Minutos depois deles embarcarem entrou um forte vento sul que nos obrigou a recolher a anconra com todas nossas forças e nos abrigarmos no YCI Apenas uma prévia do que nos esperava pela frente Na esteira de um cargueiro
Grande amigo e aluno Daniel Comparando nossas pimentas da vela Dias e gennaker
Nosso novo mastro Cleber eleito o cozinheiro oficial da travessia Com o gennaker em cima e previsão de tempo ruim
Tempo maluco, sol, chuva, muito vento, zero vento... Dias de muita chuva
Daniel cambando a retinida da retranca Karen e seu aluno passando por um navio
Comendo, limpando a louça e hora da ciesta
Enfrentando os ciclones
O início da aventura O dia amanhecendo e o vento só aumentando Lindas ondas por sotavento e vento contra
Grande folgado e vento só aumentando Costurando uma vela na proa Tripulação amarrada, reparem na cor do mar a sotavento (esquerda da foto)
Ainda com a roupa de neoprene e orçando o máximo Tripulação depois dos ciclones, reparem como o céu esta limpo Todos com muito frio
Descansando um pouco Chegando em Itajaí Proximidades de Itajaí

A saída estava prevista para a manhã de sexta-feira. O grupo composto por 4 pessoas de Florianópolis chegou e teve uma ótima experiência do que irião esperar pela frente.

Mal chegaram e entrou um vento Sul com força total no canal. Estávamos fundeados em frente a Vila de Ilhabela e tivemos que puxar a âncora às pressas debaixo de muita chuva, ondas quebrando na proa e rajadas de 35 nós. Saindo de lá fomos nos abrigar no YCI, onde sempre somos muito bem recebidos.

Acordamos cedo, soltamos a poita e fomos motorando até depois da Ilha de Alcatrazes. Depois levantamos as velas e fomos de vento na cara o tempo todo, o tempo todo mesmo. Sem dar uma tregua.

Depois de quase dois dias de vento variando entre 0 e 25 nós de cara, chegou a hora de enfrentarmos mais um ciclone, só que dessa vez na cara. Uma situação completamente desagradável para todos, todos mesmo. Passamos o ciclone tivemos algumas horas de vento fresco na cara e faltando menos de 80 milhas para chegarmos em Floripa, resolvo ligar o motor para manter o barco na posição e esperarmos mais um ciclone passar, esse ainda mais forte e com ondas mais altas. Ligo o motor e algumas horas depois percebemos que a correia estava patinando, apertamos todas as correias depois de traocá-las e seguimos em frente. Alguns minutos depois percebemos que a bomba de água salgada que arrefece o motor estava condenada! O rolamento havia soltado fazendo com que o eixo rodasse em falso. Saio do leme e deixo a valente Karen enfrentar mais um dia de provação no mar com uma tripulação sem experiência que queria ver como era enfrentar um ciclone. Grande, maravilhosa experiência!

Deixo o lemo por volta das 2 horas da manhã e me enfurno no salão em frente um motor quente para tentar solucionar o problema, fico mexendo na bomba por 12 horas ininterruptas, consigo fazer mais uma gambiarra na minha vida e seguimos em frente, agora com o vento na casa dos 20 a 30 nós, mas sempre nos cornos. Resolvemos parar em Iatajaí o abrigo mais próximo e que poderia ter condições de resolver o problema da bomba.

Seguimos velejando rumo a Praia de Cabeçudas e acabamos fundeando na Praia do Atalaia, a vela.

Chegando lá, como era de esperar, toda a tripulação já estava com as malas prontas e ansiosos para chegarem em terra firme. Sendo que já eram mais de 22 h e todos nós, eu e a Karen, estávamos exaustos de ficarmos lutando contra o vento. De tão cansado cedo as lamúrias dos passageiros e desembarco-os na Praia do Atalaia, isso mesmo! Uma das melhores praias para a prática do surf. O desembarque foi até que tranquilo, dropamos 3 ondas e chegamos a praia. Pronto eles estavam na tão clamada terra firme, mas e a volta para o Mistralis?

Pego 3 ondas que me fazem capotar com o bote duas vezes, perco meus óculos, o bote fica cheio de água e vou nadando levando o bote para o fundo, furando as ondas.

Chegando próximo ao veleiro, começa e ventar um vento Sul me empurrando para fora da minha rota e que me fez dormir pouquissimas horas aquela noite. Já que estávamos próximos ao molhe e com o vento nos empurrando direto para ele.

Resumindo:

Jamais saio com tempo ruim pela frente e nunca desembarco a noite em local que eu não conheça e todos devem ajudar na organização do barco!


Rio - Ilhabela - 16 a 20 de abril

Depois de pouco mais de um mês de reforma descemos o barco e dois dias depois fomos realizar uma pequena travessia: Rio - Ilhabela, para logo mais seguirmos rumo a Florianópolis.

Saimos do Rio de Janeiro com um grupo de amigos composto por 5 pessoas, sendo que apenas uma delas sabia velejar e outras nem haviam entrado a bordo de um veleiro ou nunca tinham velejado.

Saímo do Rio de Janeiro a noite e seguimos direto para a Ilha Anchieta próxima a Ubatuba. Como nosso objetivo é velejar, tentamos o máximo que pudemos. Mas o vento estava muito fraco e mais de 60% da travessia foi realizada no motor, uma pena! Mas nem sempre conseguimos realizar uma travessia com hora marcada a tempo!

Fundeamos a noite, uma prática constante nossa, na Ilha Anchieta, um local muito bonito e tranquilo. Depois seguimos para o Saco da Ribeira onde abastecemos o barco de diesel, um valor fora da realidade!

Do Saco da Ribeira paramos na Ilha do Mar Virado para pescar e mergulhar, mais uma vez sem peixes comestíveis! De lá seguimos para a a Praia da Cassandoca, um abrigo difícil e muito ruim. Perigoso com ventos de E.

No dia seguinte fomos para a Praia de Jabaguara, um lugar muito agradável e bonito. Com um restaurante também muito caro.

Depois seguimos direto para o YCI, contudo tivemos que socorrer um casal que havia alugado um dingue na BL3 e não sabiam velejar!

Agora nos encontramos fundeados em frente a vila de Ilhabela esperando o próximo grupo para seguirmos rumo a Florianópolis.


Reforma 2010

Depois de quase dois anos com o Mistralis na cor Vermelho Ferrari decidimos mudar a cor do barco e voltar a sua cor original: Azul Paraíso.

Voltamos com nossa parceria com as Tintas Weg, subimos o barco e começamos a reforma.

Durante a reforma fomos pegos por 2 frentes frias, sendo que uma delas durou quase 10 dias, o que veio a atrasar bastante nossos trabalhos.

Durante essa reforma reforçamos o pé do mastro da mezena, eliminamos as goteiras para o interior, fizemos uma nova escada para o salão e retiramos a ferrugem do convés, costado e fundo, além de trocarmos o cabo de aço do leme e muitos outros pequenos mas essenciais detalhes.


Carnaval 2010 - primeira Expedição Ilha Grande


Logo depois começamos o ano com um curso de vela feminino


Reveillon 2010

Logo na virada do ano realizamos um charter com um grupo muito animado e ao mesmo tempo responsável, na medida do possível.


Contato

Felipe Caire ou Karen Riecken

 

(21) 9373-5923

(21) 9374-3903