Mais uma vez o tempo nos pregou uma peça e as condições não estavam favoráveis. Mas como estávamos para realizar um passeio de barco e poucas milhas a serem percorridas, saímos do Rio quando entrou uma leve brisa e iniciamos nossa velejada.
O mar estava tranquilo e o vento bem fraco. Saímos no motor e fomos com ele ligado até a altura de Marica, onde içamos a genoa I e desligamos o motor.
Ao entardecer o vento refrescou um pouco e continuamos velejando mais rapidamente. Nessa hora iniciaram-se os turnos.
Como a bordo estávamos em 2 instrutores e 5 pessoas, sendo que uma delas já veleja conosco desde o começo do ano. Resolvemos dividir os turnos entre os mais experientes. Isso que todos velejavam em Brasília e tinham alguma experiência de vela.
Na madrugada, com a aproximação de um navio, a tripulação que estava no turno foi obrigada a cambar. O que seria uma manobra simples, acabou acarretando na perda de uma manicaca. Um momento de agitação e euforia por parte de um tripulante jovem e afoito.
Continuamos velejando, até que perto do amanhecer o vento acabou e singramos as últimas milhas que faltavam no motor.
Fundeamos na Ilha de Cabo Frio, descemos até a praia e aproveitamos um pouco a região.
Contornamos a Ilha e fudeamos na Praia do Forno em Arraial do Cabo, um local tranquilo e aparentemente seguro.
No dia seguinte acordamos cedo com a mudança de vento e resolvemos velejar. O mar foi ficando grosso, mas o vento já estava diminuindo. Haviam mais ondas que vento. O objetivo desse passeio era o de pegarmos vento forte, de vermos como é velejar com mar agitado. Esse é quase sempre o objetivo de muitos que embarcam conosco, mas na hora que isso se realiza, querem logo voltar para o conforto de suas casas.
Fomos velejando até Búzios, onde chegamos a noitinha. Logo pela manhã a tripulação resolveu desembarcar e procurar abrigo em terra firme, pernoitando numa pousada em frente ao barco.
No dia seguinte apenas nosso amigo e um dos tripulantes resolveram seguir conosco até Cabo Frio, onde seria o check-out desse passeio. Tivemos que ir motorando, com ondas desencontradas e mar agitado. Tínhamos que correr contra o tempo, pois o vento NE iria apertar e complicar as poucas milhas que tínhamos pela frente.
Nosso maior objetivo era de chegarmos exatamente durante o estofo da maré, momento em que a correnteza dá uma tregua e poderíamos atracar facilmente no pier do clube. Já que a manobra tende a ser bastante complicada devido a forte correnteza.
Mas foi tudo tranquilo, pois já havíamos instruídos todos sobre o que fazer. Todos estavam posicionadas nos seus lugares.
Resumo:
- Se você quer realmente sair para velejar, você tem que ter paciência e esperar as melhores condições climáticas.
- Passar algumas horas brincando de velejar em águas abrigadas num contravento, é até divertido e prazeroso. Ainda mais sabendo que no final do dia você terá um chuveiro quentinho, uma cama macia e o conforto do lar. Mas durante uma travessia, você terá que suportar o balanço do barco, o mar na cara, o desconforto das ondas batendo no casco e deixando tudo confuso no interior do barco.
- Durante todas as manobras mantenha a calma e caso sinta-se inseguro peça nossa ajuda. Velejamos a mais de 35 anos e vivemos exclusivamente do mar.
- Faça todas as perguntas antes de embarcar e venha ciente dos problemas que poderá enfrentar, caso não respeito as condições climáticas.




















