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Diário de bordo do veleiro Mistralis

 


Exposição de Fotos no Iate Clube do Rio de Janeiro

 

Finalizaremos nossa Exposição de Fotos desse ano no ICRJ entre os dias 1 e 15 de dezembro com o apoio do ICRJ e da Loja da Foto.

 

Apoios

 


Voltando para casa

 

Para muitos o mar é um lugar estranho, perigoso, que deve ser temido e respeitado, para mim é a minha casa, o lugar onde `nasci`.

 

Nossa viagem começou no dia 28 de julho de 2008, depois de 32 meses de reforma do veleiro Mistralis, que sofreu um acidente no dia 31 de dezembro de 2005.

 

Saímos nessa viagem inaugural para testar todas as modificações feitas durante essa longa e árdua batalha que foi a reforma do veleiro Mistralis (veja mais detalhes ao longo da página).

 

Nas horas vagas da reforma, Felipe Caire, dedicou todo seu tempo para desenvolver a Expedição Mistralis - Aquecimento Global e Mudanças Climáticas e desde o fim de 2006 veio tentando captar recursos para desenvolver esse projeto que seria lançado no ano de 2008 quando a reforma teve fim, contudo não foram esses os novos rumos da Mistralis.

 

Depois de enviar a proposta para mais de 130 empresas, conseguimos algumas parcerias para a reforma do barco, mas não vivemos de materias não comestíveis e precisamos de muito mais do que nos foi ofertado para realizarmos uma Expedição de 12 meses pela costa do Brasil com uma equipe de 6 pessoas trabalhando com educação ambiental.

 

A realidade é que fomos ao mar, para buscar nossa merecida paz, para voltarmos para um ambiente onde as coisas são honestas, sinceras e puras. Fomos viver de verdade e experienciar a Natureza, onde nos sentimos em casa.

 

Depois de ter investido tudo na reforma e mais um pouco, não tivemos como adquirir um novo motor para o veleiro, mas a busca pela vida era necessária e foi então que resolvemos, ainda reformando o barco, que iríamos voltar ao mar.

 

Nos lançamos ao mar sem nenhum motor (somente com os motores das bombas de porão), sem nenhum auxílio em terra, mas com toda a segurança possível (balsa, SSB, 3 VHF, 3 GPS, equipamentos de segurança e muito mais).

 

Saímos do Rio de Janeiro e fomos descendo a costa até Florianópolis, todos os detalhes da nossa viagem podem ser encontrados abaixo.

 

A realização dessas `poucas` 1480 milhas navegadas são o resultado da competência e do sucesso da Equipe Mistralis, que durante essa viagem foi composta pelo comandante Felipe Caire e por Karen Riecken.

 


Viajando sem motor

 

Velejo antes mesmo de nascer, na barriga da minha mãe e desde sempre em veleiros de cruzeiro, nunca fui de participar de regatas. Só depois de `velho` quando corri de Pinguim, Star, Oceano e Snipe. Mas sempre voltei toda minha vida para fazer travessias oceânicas a bordo de veleiros de cruzeiro, um pequeno detalhe, todos equipados com motor, mesmo que seja com um antigo motor de popa.

 

Antes de me lançar ao mar ouvi o `conselho` de diversas pessoas para esperar um pouco mais, para consertar o antigo motor e ir com mais segurança. Claro que gostaria de ter feito isso, como gostaria! Mas não podíamos mais esperar. Depois de muito tempo reformando e tentando captar recursos para a Expedição, eu já não aguentava mais, meu corpo já não aguentava mais, que dirá minha mente. Precisava voltar a fazer o que sempre fiz durante toda a minha vida, o que sempre amei fazer: velejar em mar aberto.

 

Precisamos do motor para suportar os dias de calmaria, vencer a correnteza em canais, atracar, ancorar e o mais importante de tudo: desviar de navios.

 

Aprendi várias coisas que talvez nunca fosse aprender se não estivesse vivenciado essa viagem sem motor: aprendi a manobrar como nunca pensei que fosse possível com o Mistralis exclusivamente a vela, aprendi a ser muito mais cauteloso em todas as manobras, a medir cada manobra e cada ancoragem. Os riscos para uma embarcação a vela sem motor são infinitamente maiores do que quando estamos com motor.

 

Com motor temos a possibilidade de manobrarmos caso o ferro vá a garra, podemos calcular com calma nossas manobras enquanto abaixamos a vela e diminuimos nossa velocidade, temos todo o tempo do mundo para analisarmos o local. Temos tempo! Sem motor temos que ser muito mais cautelosos, nosso material de ancoragem tem sempre que estar pronto, temos que estar preparados para tudo o tempo todo. Velas sempre a pronta para ser içada, tudo pronto para velejar e nos safar, obviamente levando em consideração o fato de não danificar nenhum outro barco (obstáculo) ao redor.

 

Não me arrependo de ter ido ao mar sem ter um motor, mas tive uma tripulação (Karen Riecken) muito boa, experiente e pró-ativa. Além disso conheço o barco como ninguém, velejo há mais de 30 anos e o Mistralis facilita um pouco algumas manobras, mas é um barco pesado e de resposta muito lenta, contudo muito estável.


Outubro / Novembro de 2008

 

Ilha Grande - Rio de Janeiro

 

Chegando no Rio de Janeiro, fim da nossa viagem... Mais navios!
         
Navios na chegada do Rio de Janeiro Deixando Ilha Grande com chuva, mais chuva Maldita Restinga da Marambaia Velejando com quase nada de vento, mas com algum vento!
     
  Ao fundo, Ponta de Castelhanos   Laje da Marambaia  

 


Ilha Grande

 

Mistralis na Enseada de Abraão
 
Poço em Abraão   Mirante da Praia Negra Abraão
Preparando mariscos ao lado da Praia da Tapera Mistralis na Enseada de Palmas Lopes Mendes
Lixo perdido da nossa querida Petrobras Lopes Mendes Velejando com a brisa da Enseada da Ilha Grande, um grande desafio sem motor
   
Ancorando em Porto Galo

 


 

Ilhabela - Ilha Grande

 

Deixando Ilhabela Entre Ilhabela e Ilha Grande, com quase nada de vento
     
Seqüência de uma gaivota levantando vôo
Chegando na Enseada do Sítio Forte na Ilha Grande depois de muitas horas de calmaria e várias horas velejando a menos de 0,5 nó
     
  Um velejador de verdade nos rebocando   Nosso pouso na Praia da Tapera  

 


 

Setembro / outubro de 2008

 

Exposição de fotos no Yacht Club de Ilhabela

 

   
Painéis montados no YCI por Felipe Caire e Karen Riecken

 

 


 

Ilhabela

 

Esculturas em frente ao Pindá Iate Clube

Velejando e manobrando entre navios...

 

 


 

Florianopolis a Ilhabela

 

Saímos com todas as velas içadas, com ventos fortes e ótima condição para velejarmos a bordo do Mistralis, 30 nós com rajadas de até 40 nós de vento, com esse vento estamos em casa, mas por favor que venha a nosso favor, enfrentar ventos assim, com ondas, com correnteza forte na cara não dá mais! Não, nossa cota já está boa, acho que já pegamos muito vento contra nessa pequena, mas emocionante viagem.


Todas as velas içadas e vamos embora voando!


A tripulação era composta por Felipe, Karen e Augusto, que não sabia velejar, teve que aprender em condições de difícil velejo, mas aprendeu.

O leme estava muito difícil e pesado, estávamos com vento pela popa, uma das piores condições de vento possível em um mar de ondas desencontradas. Impossível deixar o Augusto no leme, quando a Karen tentou eu, que descansava do meu turno, percebi uma movimentação bem diferente na minha cama. O Mistralis parecia perdido, indo de um lado para outro, foi quando ouvi um barulho horrível! A vela mestra dando um jaibe com 32 nós de vento!


Em uma das ondas Karen fez 13 nós, poucas horas depois eu bati o recorde dela e só fui reparar muito tempo depois:13,1 nós. Estávamos fazendo mais de 18 milhas em cada turno de 2 horas, assim chegaríamos na Ilhabela em menos de 2 dias! O Mistralis estava velejando muito bem, nessas horas sim podemos ser felizes e comemorar tudo o que conquistamos e realizamos ao longo de tanto tempo de trabalho.

 

 

Ver o Mistralis voltar a velejar da forma que ele estava velejando me foi muito gratificante, afinal de contas foram mais de 30 meses de reforma e muita batalha para chegarmos onde estamos.

Mistralis é muito mais do que um simples veleiro, é um estilo de vida, uma forma de aproveitar a vida, de viver de verdade. Só quem participa da nossa rotina, quem conhece um pouco da nossa história pode entender o significado de Mistralis.

Depois de 14 horas de vento forte, o mesmo diminuiu para 20 nós e o Augusto já conseguia ficar no leme, depois de ter treinado conosco e do vento já estar pela alheta.


Enquanto isso o vento ia diminuindo e mudando de quadrante. Quando faltavam menos de 11 milhas para a entrada do canal (o que faríamos facilmente em um turno de 2 horas), deixamos o Augusto no leme. 2 horas depois, ele não tinha singrado nem 2 milhas, o vento tinha acabado, ficado completamente contra e a correnteza nos empurrando quase para trás.


Canal de São Sebastião

 

Agora começa uma longa, cansativa e chata história.

Eram 11 horas da manhã, conseguíamos ver quase toda a extensão do canal, mas não conseguíamos ir a vante. Cambamos mais de 20 vezes em menos de 2 horas, o vento estava fraco e a correnteza mais forte, quase não conseguíamos ir a vante.

Resolvemos ancorar e esperar melhores condições de vento. Mas como ancorar a noite, com pouco vento, muita correnteza e, com um pequeno detalhe, sem motor e num lugar desabrigado?

Já estou acostumado a entrar em lugares desconhecidos a noite, não tenho o hábito de esperar o dia clarear para ancorar, sempre confiei nas sondas e nas cartas náuticas, mas sempre tive um bom motor!

Tentamos ancorar em dois lugares, mas o vento não ajudou e tínhamos que manobrar entre pedras e o continente, difícil de ser feito de dia, de noite então...

Foi quando resolvemos dar a volta na Ilhabela, tarefa que ficaria por conta da Karen e do Augusto. Eu já não conseguia mais ficar no leme, estava muito tonto, cansado e com muita febre, por causa de uma amigdalite.

Peguei o leme e resolvemos tentar mais uma vez entrar no canal, recapitulando já estávamos há mais de 24 horas rodando quase no mesmo lugar, chega! Hora de vencer essa correnteza!

Assim que passamos a Ilha Toque-Toque o vento foi ajudando um pouco e fazíamos uma curva pela ilha em direção ao canal.

 

Parou de chover!!! Estávamos enfrentando chuva desde que saímos de Florianopolis.

O vento empurrava o barco mais rápido que a correnteza, íamos a uns 2 nós a vante, com uma correnteza de 1,5 nós, ou seja singrávamos 0,5 nó, mas a vante.

Nunca em toda minha vida cambei tanto, antes, quando tínhamos motor, cambar era um sacrifício, agora é apenas uma rotina, uma manobra fácil de ser realizada. Cansativa pois já havíamos realizado mais de 60 cambadas em menos de 24 horas. Detalhe que o intervalo entre uma cambada e outra variava de no máximo 20 minutos, mas nós NÃO ESTAVÁMOS EM REGATA!!!...rs. Sou velejar de cruzeiro, que quando camba faz uma por dia, não 60 em um dia!

 

Cambando e cambando....


Navios e balsa


Já estávamos na altura da Praia da Feiticeira quando um navio resolve entrar também no canal, logo um navio! Temos preferência sobre quase todas as embarcações, inclusive sobre navios, mas não dentro de um canal...rs.

Hora de desviarmos dele, deixá-lo passar e seguirmos nossa façanha!

Acelera navio, passa logo!!!


Meus queridos amigos navios!


Bem...o navio passou, mas levou consigo todo o pouco vento que tinha, agora nós estavámos indo a ré! Ainda bem que durou pouco tempo, mais uma rondada de vento. Com isso perdemos umas 4 cambadas....ninguém merece!!!

E assim fomos até perto da Ilha das Cabras, quando outro navio ainda maior resolve entrar no canal, só que dessa vez o vento resolve parar e nos deixa no meio do canal... Com isso temos que manobrar o barco com a correnteza, aproveitarmos cada brisa e encostarmos o barco perto da margem. Augusto fica o tempo todo olhando a profundidade, quando finalmente ele fala 10 metros fico tranquilo, agora estamos a salvo do navio.

 

Voltou o vento, esse maldito vento que vem e vai, empurra um pouco o Mistralis e depois voltamos um pouco para trás com a correnteza forte do canal...

Agora tínhamos que ultrapassar as balsas da Ilhabela que mal conseguem navegar em linha reta o que dirá desviar e que comandante de balsa irá pensar que um veleiro do tamanho do Mistralis está sem motor?

Agora o vento estava nos ajudando, vinha pelo nosso través e conseguíamos ter uma boa velocidade para avançarmos perpendicularmente a balsa. O vento acabou por completo, agora tínhamos a correnteza nos jogando em direção as balsas e nós estávamos de novo no caminho do navio que entrava no canal.

Nada de vento, muita correnteza e o Mistralis volta a navegar de ré!

 

Vimos uma Intermarine de 51 pés e Augusto e Karen começam a acenar para a lancha...Hora de pedir ajuda.... Arrumamos um cabo de reboque e pedimos reboque para qualquer lugar, de começo o marinheiro não queria nos ajudar, disse que estava atrasado para abastecer a lancha, mas nós insistimos!

Ele foi acelerando e acelerando e o Mistralis singrava a 5 nós!!!

Ele foi nos rebocando até a Praia do Pereque, sabíamos que não poderíamos ancorar lá, na carta diz que tem um banco de areia, chegando perto da praia pedimos para parar.

Ancoramos na Praia do Pereque para no dia seguinte irmos em direção ao Yacht Club de Ilhabela.

 

Traineira em Jurerê Velejando com todas as velas içadas  

8 nós e 822 milhas percorridas desde agosto

 
A tripulação: Felipe Caire, Augusto Pereira e Karen Riecken. Fizemos turnos de 2 horas, demoramos menos de 2 dias de travessia até a entrada do canal...
 
         
   
Yacht Club de Ilhabela   Mistralis repousando na poita do YCI   Se hoje fez sol, certeza que muitos dias de chuva virão!
   

 

 

Porto Belo - Itapema - Balneário Camburiú

 

Apenas mais um dia comum

Escritório provisório em Balneário Camburiú Vista de Itapema Enseada de Porto Belo Depois de um dia chuvoso, o reflexo do Sol Veleiro Kon Tiki
   
Um lindo entardecer   Karen Riecken   Felipe Caire

 

 


 

Exposição de fotos no Museu da WEG

Iniciamos no dia 1 de setembro nossa exposição de fotos onde mostramos o trabalho de educação ambiental que realizamos no sul da Bahia, percorrendo 7 comunidades costeiras, ribeirinnhas e pesqueiras.

 

Saiba mais clicando aqui.

 

Como tudo começou em 2005 Museu da WEG      
         
         
     
  Entrevista para rádio local   Karen e Felipe  

 


Agosto de 2008

 

Velejada com pessoal de marketing da WEG - de Porto Belo até Caixa D`Aço

 

Dia completamente sem vento e com muita correnteza, muitas cambadas para conseguirmos sair da enseada de Porto Belo.

Apoio da Red Bull Parceria Yachten Boat Grande amigo Marcelo Pôr do sol e gennaker em cima
Atracacando sem motor em um bar flutuante em Caixa D`aço - Porto Belo - SC
Mistralis repousa no bar flutante depois da nossa atracação, com pouco vento e tripulação reduzida.

 


 

Do Rio de Janeiro a Porto Belo

 

Muitos ficam dias, meses e anos se preparando para uma viagem, posso dizer que estamos nos preparando para qualquer tipo de viagem desde que começamos a reforma do barco, pois todas as modificações foram feitas pensadas em facilitar a navegação e, principalmente, aumentar a segurança de todos a bordo.

Foi então que chegou a nossa hora de voltarmos a navegar. No dia 20 de agosto, uma quarta-feira ensolarada, depois de enchermos o barco com mais de 1.500 litros de água, suprimentos para uns 3 meses e muita organização, nos despedimos de terra firme com um almoço no Iate Clube do Rio de Janeiro e começamos as fainas de bordo, sem o auxílio do motor.

A equipe foi composta por Felipe Caire, capitão do barco, Karen Riecken, fotógrafa e Débora Rodriguez, oceanógrafa.

Depois que levantamos as velas, soltamos `as amarras` e seguimos rumo a Porto Belo, 387 milhas náuticas em linha reta do Rio de Janeiro. Logo na saída da Baía de Guanabara já pegamos condições adversas à navegação: correnteza de lua cheia enchendo e vento fraco contra. Ficamos umas 3 horas para percorrermos um trajeto em que normalmente faríamos em 30 minutos, foram inúmeras cambadas (mudanças do lado da vela e do bordo do barco, pois veleiros não velejam contra o vento, são obrigados a fazerem zique-zaques).

Quando começou a escurer, o vento leste começou a se mostrar e o Mistralis voltou a velejar de verdade, íamos a velocidades de 8, por vezes 9,5 nós (1 nó equivale a 1 milha náutica – 1853 metros – por hora) com todas as velas em cima. Tivemos que rizar (diminuir as velas) quando trocamos o turno e chegou a hora das `meninas`. Normalmente rizamos as velas quando estamos com muito vento, mas especialmente nesse caso tivemos que diminuir pano porque o leme estava complicado para elas, um tanto pesado e arredio nos primeiros momentos. Rizada as velas seguimos nosso rumo, um tanto para fora por causa do vento, a uns 6 nós.

 

Traçado o rumo na bússola e no GPS, começou a hora dos turnos. Agora estava estabelecida a rotina de bordo, cada um no leme por 2 horas o tempo todo da viagem.
Estavam sendo velejadas calmas, com ventos frescos, uma rotina de bordo agradável, até que no terceiro dia tive que passar a noite inteira no leme, pois o vento e as ondas estavam um pouco fortes. Peguei o leme às 20 h e só fui entregá-lo às 7 h, quando o Sol já havia nascido, o vento se acalmado e o mar estava um pouco mais calmo. O que me manteve acordado e atento durante esse tempo foram algumas latinhas de Red Bull e muitos casacos, pois já começava a esfriar.

Uma de nossas maiores, senão a maior preocupação, são os navios que parecem gostar de se aproximarem da gente. O mar é gigantesco, mas o risco de colisão, mesmo em mar aberto, deve ser considerado, pois sempre que velejamos tivemos que desviar de navios, quando pela legislação brasileira a obrigação é deles, já que estamos a vela.

Na última noite de velejada, depois de 5 dias, enfrentamos um verdadeiro congestionamento de barcos de pesca a 60 milhas entre Porto Belo e Itajaí. As luzes dos barcos eram tão fortes que atrapalhavam a visão das estrelas, também estávamos a 4 dias sem avistar luzes tão fortes e acostumados apenas com as luzes das estrelas e da lua. Eram mais de 30 barcos pesqueiros em um espaço menor de 1 milha quadrada.

Chegando em Porto Belo, ficamos esperando pelo vento durante umas 4 horas, faltando menos de 2 milhas. Quando estávamos contornando a Ilha de Porto Belo o vento rondou e veio na nossa cara, nos obrigando a mudar as velas. Faltando menos de 1 milha, voltamos a cambar (zique zaquear) em um canal onde vários barcos já encalharam, seguíamos nossa sonda que não parava de apitar, nos avisando da baixa profundidade.

 

Chegamos no dia 25 de agosto, depois de 5 dias de viagem e 483 milhas náuticas percorridas, lembrem-se eram 387 em linha reta. Tivemos que zique zaquear quase 100 milhas e por vezes nos afastar do rumo por causa do vento.

O que para muitos pode parecer uma aventura, um perrengue, para nós foi apenas mais uma travessia, com a única e enorme diferença que estamos sem motor, o qual nos seria útil nas horas de calmaria.

Agora nos encontramos em Porto Belo e estamos fazendo uma exposição de fotos da Expedição Mistralis – Velejando e Conscientizando 2005 em Jaraguá do Sul, logo seguiremos ao encontro das Baleias Francas, para então voltarmos ao Rio de Janeiro.
Mesmo no mar, continuamos trabalhando na captação de recursos para a próxima Expedição Mistralis, que pretende percorrer a costa do Brasil, do Rio de Janeiro até o Ceará, visitar 30 comunidades realizando atividades de educação ambiental e promovendo a preservação do meio ambiente, além de realizarmos pesquisas científicas e documentários sobre os efeitos do aquecimento global.

Que os bons ventos continuem sempre a nos ajudar!

 

Felipe e Débora saindo do Rio de Janeiro Velejando com colar cervical Karen sentindo um pouquinho de frio Velejando
Velejando Pôr do sol Arrumando cabos
     
  Chegando em Porto Belo   Entrada de Porto Belo  

 

 


 

Julho de 2008

 

Finalmente depois de mais de 30 meses de reforma voltamos a navegar com o Mistralis que passou pelas seguintes modificações:

  • nova quilha

  • gurupés de 1,5 metro

  • borda falsa

  • sarilho

  • completo processo de pintura

  • parte elétrica

  • targa

  • e muitas outras modificações que podem ser encontradas nessa página.

 

Mais um entardecer no mar Um bando de pingüins. Conforme biólogos da UFRJ isso já pode ser mais um sinal do aquecimento global. Vimos mais de 15 todos muito magros e fracos
Mistralis velejando Snipe antes...... e depois Costurando os cabos da Cordoaria São Leopoldo
Karen no leme Mistralis velejando Sarilho
       
    Asa de pombo com o gennaker    

 


 

Junho de 2008

 

Esse foi o mês da obra do interior do Mistralis, onde continuamos arrumando a cozinha e colocando os acabamentos no forro.

 

Também refizemos o salão e parte do piso.

 

Iluminação da cozinha Pias, porta copos e talheres Vista de baixo da cozinha
Liberdade para a cozinha (ideograma) Tranquilidade em cima do fogão (ideograma) Cozinha
Cozinha Boreste Entrada para a proa
 
Cabine de proa
Elielton prpparando a superfície para o verniz Espuma de poliuretano para preencher os espaços vazios Agora chove lá fora! Soldando todos os milhares de terminais
Marchetando É noite lá fora! Teto do salão Detalhe da marchetaria do teto Quadrante instalado

 

Maio de 2008

 

Mistralis volta a velejar

18 de maio de 2008

 

Um dia para ser comemorado por todos aqueles que participaram dessa gigantesca reforma do barco.

 

Parabéns Equipe Mistralis: Adelia Caire, Karen Riecken e Felipe Caire, verdadeiros conquistadores. Pessoas que acreditaram na recuperação do veleiro, acreditam e lutam pelas realizações dos sonhos e não desistem nunca. Uma grande vitória!

 

Finalmente depois de muito sacrifício é chegada a hora da verdade e sabermos o resultado de todo o trabalho.

 

Um teste de sucesso. Agora iremos partir para mais uma etapa a instalação de um motor e a finalização do interior (troca de piso, término do forro, parte da instalação elétrica e alguns outros detalhes).

 

 

Mistralis na poita
Levando as velas para o Mistralis no "Cocoroca", um leal amigo do Mistralis No top do mastro colocando as adriças Primeira velejada experimental do Mistralis
Simplesmente velejando Felipe Caire no leme do Mistralis
 
Uma das melhores coisas da vida: velejar e ver os sonhos se tornarem realidade

 


 

Descida do Mistralis

 7 de maio

 

O fim de uma das maiores etapas da reforma do veleiro Mistralis, depois de 2 anos e 2 meses o Mistralis de cara nova, nova cor, inúmeras modificações no convés e de espírito renovado.

 

Agora mais uma etapa para a reforma: a conquista de uma motorização e o término da reforma do interior, pequenos detalhes para podermos velejar sem nenhuma complicação.