Uncategorized

As “selfies” são reconhecidas como uma forma de transtorno mental por psiquiatras

A Associação Americana de Psiquiatria, principal organização profissional de psiquiatras e estudantes de psiquiatria nos Estados Unidos, confirmou o que já era verdade para muitos de nós: o hábito vicioso das “selfies” são na verdade um tipo de transtorno mental.

Esse transtorno é denominado “selfitis” e define as pessoas que possuem um desejo obsessivo-compulsivo de tirar fotos de si mesmas e postarem em suas mídias sociais. Esse desejo pode ser motivado por necessidade de aprovação, de autoafirmação ou de nutrição da autoestima.

Um estudo sobre as “selfitis”, realizado pela Universidade de Nottigham Trent, no Reino Unido, em parceria com a Escola de Administração de Thiagarajar, definiu três níveis da condição:

  • Borderline: quando a pessoa tira selfies no mínimo três vezes por dia, mas não as publica em suas redes socais;
  • Acute: quando a pessoa tira o mesmo número de selfies e posta algumas delas em suas redes sociais;
  • Chronic: é o nível mais grave, quando a pessoa tira selfies a todo momento e posta mais de seis delas nas redes sociais por dia.

A equipe que desenvolveu a pesquisa também elaborou 20 afirmações que servem de guia para ajudar as pessoas a identificarem em qual nível de “selfitis” se encontram.

Colocamos as afirmações abaixo. Para descobrir qual o seu nível de “selfitis”, classifique as afirmações de 1 a 5, sendo 1 = discordo muito e 5 = concordo muito. Quanto maior a sua pontuação, mais chances de ter a condição.

No entanto, é importante esclarecer que este teste não é um diagnóstico definitivo, apenas uma maneira de ajudar a identificar um possível vício por selfies.

1. Publico minhas selfies para criar uma competição saudável com meus amigos e colegas;

2. Minhas selfies geram muita atenção para mim nas mídias sociais;

3. Meu nível de estresse diminui quando tiro selfies;

4. Sinto-me mais confiante quando tiro selfies;

5. Sou mais aceito dentro de um grupo quando publico selfies nas mídias sociais;
6. Sinto-me mais capaz de me expressar no meio social através das selfies;
7. Tirar selfies com diferentes poses aumenta meu status social;
8. Sinto-me mais aceito e popular quando publico minhas selfies;
9. Tirar muitas selfies melhora o meu humor e me faz mais feliz;
10. Selfies incentivam meu amor-próprio;
11. Aumento minha importância de um grupo com minhas selfies;
12. Tirar selfies me ajuda a ter melhores memórias dos momentos que vivo;
13. Meu objetivo em postar selfies é conseguir muitos likes e comentários em meus perfis;
14. Espero que meus amigos/seguidores me avaliem através de minhas selfies;
15. Quando posto selfies, meu humor muda instantaneamente;
16. Não posto muitas selfies, mas fico olhando para elas toda hora, para aumentar minha autoconfiança;
17. Quando eu não tiro muitas selfies, eu me sinto afastado dos meus grupos sociais;
18. Através das selfies, sinto que aproveito melhor os ambientes que frequento;
19. Minhas selfies são como troféus para memórias futuras;
20. Uso ferramentas de edição em minhas selfies, para parecer melhor do que outras pessoas.


O que é a síndrome de selfie?

Pode não parecer, mas tirar centenas de fotos para ficar ganhando like em rede social é um hábito que pode virar doença.

É uma compulsão que consiste em tirar fotos de si em número excessivo. Geralmente, o paciente posta essas selfies em suas redes sociais para receber aceitação por meio de likes e comentários. Apesar de já ser reconhecida por alguns profissionais e debatida em consultório desde 2014, a síndrome de selfie não foi catalogada na quinta e última versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês), lançada também naquele ano. Caso uma pessoa perceba os sintomas em si, é importante procurar um especialista. Os tratamentos podem envolver uma diminuição no contato com a tecnologia, além de psicoterapias atreladas a um uso de remédio psiquiátrico.

QUEM SOU EU?
A síndrome de selfie se caracteriza por uma necessidade obsessiva em tirar autorretratos, seguida de uma necessidade de aprovação externa – no caso das redes sociais, em forma de likes. Ela pode estar atrelada a um grau avançado de transtorno de personalidade narcisista e/ou ao transtorno do corpo dismórfico (TCD). O TCD é um transtorno relacionado à imagem corporal, ou seja, o indivíduo possui uma preocupação excessiva, e muitas vezes irreal, com sua aparência.

DISLIKE
Os sintomas podem variar entre baixa autoestima, insegurança, dificuldades nas relações interpessoais, agressividade e dificuldade de conexão com o mundo real, entre outros. Se o problema não for tratado, o paciente pode desenvolver depressão em níveis alarmantes. O britânico Danny Bowman, primeiro a admitir ter o problema publicamente, em 2014, tentou cometer suicídio após perceber que jamais tiraria a selfie perfeita.

CONSULTORIA Emanuel Strahler Rivero, psicólogo clínico e criador do site Mundo da Psicologia / FONTES sites The Independent, Psych Central e American Psychological Association fotos Acervo pessoal de Gabriela Monteiro

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *