Uncategorized

Por que o HORN?

Muitos me perguntavam porque tanta vontade de cruzar a passagem mais extrema de nosso planeta, de enfrentar as condições mais extremas de navegação, de enfrentar o frio extremo, ondas e ventos assustadores.

A resposta a essa pergunta é a mais simples de todas!

 Simplesmente por ser um local onde todas as mais fortes e puras sensações estão latentes, por podermos perceber a força da Natureza na sua forma mais original e pura.

Para mostrar que estamos vivos e somos capazes de realizarmos todos os nossos sonhos.

Isso, para mim, é apenas um pouquinho do Cabo Horn.

Se quiser fazer parte de um grupo seleto de pessoas, faça essa travessia! Venha sentir a maior sensação de conquista e liberdade que você jamais experienciou em sua vida.Desde que foi descoberto em 1616, as dificuldades que os marinheiros e os navios têm de enfrentar por causa da sua orografia e meteorologia peculiares transformaram a sua travessia numa das navegações mais temidas e pejadas de lendas.O cabo Horn foi descoberto em 1616 por causa das restrições comerciais impostas pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, que proibia às outras companhias holandesas o comércio com as Índias através do estreito de Magalhães ou do cabo da Boa Esperança. A proibição era, por conseguinte, total, pois não se conhecia uma rota alternativa. Por essa altura, ninguém se tinha aventurado a explorar mais a sul do estreito de Magalhães; em 1578, Francis Drake provou que o mar se estendia abaixo da Terra de Fogo (a chamada Passagem de Drake), mas não descobriu o cabo porque fez a passagem do Atlântico para o Pacífico pelo estreito de Magalhães; por esta razão, em princípios do séc. XVII, o limite do continente sul-americano permanecia um mistério.Isaac Le Maire, um rico comerciante holandês, decidiu patrocinar uma expedição que descobrisse outra passagem e diminuísse assim o monopólio imposto pela Companhia das Índias Orientais. Com a participação de vários comerciantes e políticos da cidade de Hoorn, também adversários do monopólio, criou uma companhia, a chamada Goldseekers (pesquisadores de ouro), e contratou Willem Corneliszoon Schouten, um navegador holandês bastante experiente, para comandar dois barcos, o Hoorn e o Eendracht.Em Maio de 1615, os dois navios deram início á expedição com um único objectivo: chegar às Índias por uma rota nova que ligasse o Atlântico ao Pacífico. A descida pelo Atlântico decorreu sem incidentes até que, durante um reabastecimento na Patagónia, um incêndio destruiu o Hoorn. Schouten não desanimou e continuou a viagem apenas com o Eendracht. A 28 de Janeiro de 1616, passou a sul do estreito de Magalhães, alcançou a passagem que existia entre o cabo San Diego e a actual ilha de Los Estados e baptizou-a com o nome de, estreito de Le Maire, numa homenagem ao patrocinador da expedição.Depois, seguiu rumo a oeste. No dia seguinte, a 29 de Janeiro de 1616, vislumbrou um promontório a sul, que na sua continuação não parecia ter mais do que mar, e chamou-lhe cabo Hoorn em honra da cidade holandesa.Os ingleses mudariam mais tarde o nome para Horn e os espanhóis para Hornos. A neblina que rodeava o navio enganou a tripulação que pensou ser o cabo, que se ergue quase a 500 metros acima do nível do mar, uma extensão do continente e não uma ilha.Depois de atravessar o Pacífico sul, o Eendracht chegou a Batávia (Indonésia), onde Schouten e a sua tripulação foram presos pelas autoridades holandesas por ordem da Companhia, que não acreditou que tivessem descoberto outra rota, acusando-os de terem navegado pelo estreito de Magalhães. Durante o julgamento, porém, concedeu-se o benefício da dúvida e foram libertados. Pouco tempo depois, os seus dados foram confirmados por outros navegadores holandeses e espanhóis. É o caso de García e Gonzalo de Nodal, que lhe chamaram: cabo de San Ildefonso, convencidos de que eram os primeiros a avistá-lo.A nova rota acrescentava mais 60 milhas de navegação para além do estreito de Le Maire. No entanto, não se mostrou mais proveitosa que a complicada passagem pelo estreito de Magalhães que, com a inconstância dos ventos e o risco de encalhe nas rochas, complicava sobremaneira a travessia aos barcos de pano redondo da época, que muitas vezes se viam obrigados a aguardar uma mudança na direcção do vento para superar esses estreitos apertados.Mas a violência das tempestades do cabo Horn, sobretudo as provenientes de oeste, fez da passagem recém-descoberta, uma rota nada aconselhável para os marinheiros daquele tempo. A força incontrolável dos temporais de oeste, especialmente os que geravam ventos de noroeste, canalizados entre a cordilheira dos andes e a península antárctica, criavam uma ondulação gigantesca e imprecisa pela acção de correntes opostas.Tudo isto, a par da presença habitual de icebergues e de gelos flutuantes durante a Primavera e o Verão austrais e as neblinas persistentes em certas alturas do Inverno, ofereciam aos navegadores um panorama pouco convidativo.Por tudo isto, foram poucos os barcos que se aventuraram nesta zona, e pelas mesmas razões só em 1624 é que se concluiu que o cabo, afinal, se encontrava numa ilha. Só já bem entrado o séc. XVIII, quando os barcos incorporaram cascos e aparelhos mais resistentes e manobráveis e bujarronas à proa que lhes permitiam fechar mais a bolina, é que o cabo Horn começou a ser usado como rota alternativa ao estreito de MagalhãesFoi precisamente durante este período que o cabo ganhou uma fama terrível. Em 1741, o almirante inglês Anson, numa incursão contra as colónias espanholas do Pacífico, decidiu dobrar o cabo com oito navios, mas um temporal monstruoso de noroeste abateu-se sobre a frota britânica, que perdeu cinco navios em apenas horas.Pouco tempo depois, durante a febre do ouro da Califórnia, havia colonos que preferiam viajar por mar a partir da costa ocidental da América do Norte para evitar os ataques dos índios às caravanas, mas a rota pelo cabo Horn revelou-se tanto ou mais perigosa e não foram poucos os navios que naufragaram na travessia.Também foram muitos os clippers que desapareceram ao longo do séc. XIX, quando tentavam alcançar no máximo da sua velocidade os seus portos de destino com o propósito de conseguirem os melhores preços de venda para as suas mercadorias.A descoberta do vapor, primeiro, e do motor diesel depois tornou a passagem menos arriscada, até que, com a abertura do canal do Panamá, a 15 de Agosto de 1914, a rota do cabo Horn deixou de ser obrigatória e a sua lenda foi caindo no esquecimento. Mas a partir da década de 60, o aparecimento da navegação desportiva oceânica, as regatas em redor do mundo e os recordes de circunavegação, recuperaram o seu mito e popularizaram-no entre os aficionados do desporto náutico à vela.As histórias sobre as adversidades do cabo Horn são inumeráveis.Durante o séc. XVII, o naufrágio de galeões que enfrentaram a passagem de Este para Oeste aconteceu com tanta frequência que as companhias comerciais chegaram a considerar que, por ser tão perigosa, a nova rota não compensava a passagem pelo estreito de Magalhães. Descobriu-se, mais tarde, que boa parte dos naufrágios era intencional, já que muitos navios eram a vapor e a nova tecnologia era de motores a diesel. Daí a necessidade de usufruir do seguro que o naufrágio perfeito garantia para financiar uma nova construção. Os exemplos mais evidentes são a viagem do Edward Sewall, um paquete de quatro mastros que tentou dobrar o cabo a 10 de Março de 1904, conseguindo-o apenas a 8 de Maio, e a do Cambronne, que levou 92 dias para alcançar o Pacífico e que sofreu sérias avarias no aparelho.A pior situação climatérica do cabo Horn dá-se quando a tempestade, que costuma gerar-se a oeste da passagem de Drake, projecta ventos de N O que se avivam pelo efeito da cordilheira dos Andes. Estes ventos, que podem ultrapassar os 60 nós, levantam uma ondulação monstruosa que se sobrepõe ao mar de fundo, vindo do Atlântico.Foram estas condições que originaram os naufrágios do velejador norueguês, Hal Hansen e do canadiano Gerry Rouffs. Os dois navegadores desapareceram após violentos temporais e os destroços dos seus barcos apareceram, respectivamente, no litoral da Terra do Fogo e da Patagonia.   Que tal irmos lá curtir um pouco dessas emoções?! Saiba mais: +5521993735923

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *